Temporada das Flores.

Um dia alguém vai se apaixonar pelo seu sorriso torto. Alguém vai precisar ouvir a sua voz antes de dormir e querer o seu bom dia para começar bem. Um dia alguém irá querer carregar as suas dores consigo e trazer um pouco de alívio. Esse alguém também irá aceitar as suas falhas, pedoar os seus maus entendidos e respeitar os seus silêncios mesmo que não entenda. Alguém com quem você poderá até ter… brigas exageradas, mas nunca irá embora. Alguém cuja a palma da mão, você terá decorado cada detalhe e cravado a marca dos seus dedos entrelaçados. Um alguém fará você chorar e vice-versa, porém, terá um abraço que acolherá todos os erros. Alguém que talvez te odeie um dia e ame no outro - ou no mesmo -, mas que invada diariamente o seu corpo de sensações únicas. Um alguém que te leva junto toda vez que parte, e te faz oscilar entre a vida e a morte em segundos de amor. Um alguém cuja alma te pertence desde sempre. Um dia um encontro marcará o que somente os olhos registrarão. Um dia, inesperadamente, alguém anula o resto do mundo para você. E você descobrirá, rapidamente, que esse alguém não poderia ser de mais ninguém, e nem você.

Desconhecido

De tudo que conhecia até então, o amor era o mais difícil. No momento estava apaixonada por alguém que tinha pouco mais que sua idade, estudava Física e via o mundo de um modo completamente diferente do dela. Mais uma vez estava acreditando no amor, apostando nos seus sentimentos, mas se decepcionara tantas vezes que não tinha mais certeza de nada. Mesmo assim, esta era ainda a grande aposta da sua vida.

”Brida” do Paulo Coelho. 

Eu vou gostando, eu vou cuidando,
eu vou desculpando, eu vou superando,
eu vou compreendendo, eu vou relevando,
eu vou e continuo indo, assim, desse jeito.
Sem virar paginas, sem colocar pontos.
E vou dando muito de mim, e aceitando
o pouquinho que os outros têm pra me dar.

Caio Fernando de Abreu

Não que eu esteja reclamando em estar sozinho. Mas seria muito melhor ter alguém comigo. Minha carência não é só beijos ou até mesmo falta de sexo. Quero abraços, carinho, amor e atenção, porque no fundo eu só quero que me cuidem. Quero ser a razão de alguém, é aquilo de amar e ser amado de volta. Quero me sentir vivo de novo, quero não me importar com as coisas. Sorrir sem ter motivos, ou ter, mas que seja com você. Mesmo que meu coração esteja em pedaços, eu o reconstruo pra ti. Só pra poder, por um momento, sentir aquela tal coisinha. Sentir o amor. Sentir que estou amando e sendo amado.

Repouse e Tabacos.    

Quando eu tinha doze anos meu pai adoeceu. Faleceu quando eu tinha catorze. Tudo ficou em stand-by, nesse período, lá em casa. Acumulando poeira. Muita coisa ficou em stand-by pra sempre. Não deu tempo pra ele me ensinar a fazer a barba. Enquanto meus colegas brigavam com seus pais na saudável busca de indentidade, à noite, eu colocava os chinelos do meu pai para andar no escuro da casa. Fisicamente não nos parecíamos, mas o som dos chinelos caminhando era igual. Matava um pouco da saudade.

Humberto Gessinger

Meu amor me abraça na hora de dormir. E sorri na hora de acordar. Meu amor conversa dormindo e nem lembra. Meu amor sabe que tenho um lado birrento. E às vezes faz birra também. Meu amor deixa o restinho de café na xícara e acha graça da quantidade de guardanapo que gasto. Meu amor gosta de comida bem quente e vinho bem gelado. Meu amor rói as unhas e faz cara de criança quando digo pra ele tirar a mão da boca. Meu amor divide a vida comigo. E essa é a melhor coisa que existe.

Clarissa Corrêa.
O Simpático Senhor Bernardo de 81 anos da Casa ao Lado

se encantou pela Fátima de 72 anos, a melhor antiguidade da sua coleção de velharias. Mas que ironia pra quem ia do quarto pro banheiro e atravessava janeiros sem saber que o amor também pode bater à porta, numa tarde de sábado, oferecendo uma torta de limão. Fátima de 72 anos tinha rugas tão lindas quanto as memórias. 
se casariam?
é outra história.

A Rua da Capela.